Dia das mulheres: ainda não é um dia feliz!


O dia 08 de março tem sido, com muita luta, desmistificado, mas não dá pra dizer que “chegamos lá”. Na real,  acreditamos que não estaremos aqui para vivenciar esse dia com felicidade, essa tarefa ficará para a futura geração. Ainda há muito o que percorrer, muito a ser conquistado, discutido. Mas, antes de tudo, convido você a dar alguns passos para trás, sugiro que voltemos ao passado para lembrarmos da luta das mulheres, nossas ancestrais, mães, avós, bisavós ao longo dos anos:



  • 1792 - inicia-se a busca pelo direito ao voto na Inglaterra, neste mesmo ano, Mary Wollstonecraft escreveu um dos grandes clássicos da literatura feminista “A Vindication of the Rights of Woman” (A Reivindicação dos Direitos da Mulher)
  • 1827 - Surge no Brasil a primeira lei sobre educação das mulheres que permite que elas frequentem escolas elementares, porém, as de ensino mais avançado continuam proibidas.
  • 1832 - A brasileira Nísia Floresta, do Rio Grande do Norte, lança em tradução livre e com adaptação o livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”. Nísia é considerada a primeira feminista brasileira e latino-americana.
  • 1857 - No dia 08 de março, 129 operárias morrem queimadas em uma ação policial onde reivindicavam a redução da jornada de trabalho (de 14 para 10 horas) e o direito à licença maternidade. Mais tarde, foi instituído o Dia Internacional da Mulher que conhecemos hoje ( A data relembra a tragédia e repensa o futuro, a igualdade).
  • 1879 - No Brasil, as mulheres recebem autorização para estudar em instituições de ensino superior. Porém, as que seguiam este caminho eram altamente criticadas pela sociedade.
  • 1893 - Pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto na Nova Zelândia.
  • 1915 - No Brasil, foi instituído um novo regulamento na Caixa Econômica Federal que permitia que a mulher casada possuísse depósitos bancários em seu nome, caso não houvesse oposição do marido.
  • 1917 - Deolinda Daltro, professora e fundadora do Partido Republicano Feminino, lidera uma passeata exigindo o direito ao voto para a mulher.
  • 1920 - Nos EUA ocorre o Sufrágio Feminino, um movimento social, político e econômico de reforma, com o objetivo de estender o direito do voto à mulher.
  • 1922 - Bertha Lutz fundou a Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino - FBPF
  • 1928 - No Brasil, o Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração na lei eleitoral e dá o direito do voto às mulheres, porém, ao irem para as ruas, seus votos foram anulados. No entanto, neste mesmo ano, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lajes/RN.
  • 1932 - Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral, garantindo o direito de voto às mulheres brasileiras.
  • 1937/1945 - O Estado Novo (Brasil) criou o Decreto 3199, que proibia mulheres de praticar esportes “incompatíveis” com as condições femininas como: luta de qualquer natureza, qualquer estilo de futebol, pólo, halterofilismo e beisebol.
  • 1945 -  A igualdade de direito entre ambos os gêneros é reconhecida em documento internacional através da “Carta das Nações Unidas”



  • 1949 -  Os Jogos da Primavera são criados e no mesmo ano a francesa Simone de Beauvoir publica o livro “O segundo sexo” onde analisa a condição feminina.
  • 1951 - É aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade da remuneração entre homens e mulheres para funções iguais.
  • 1962 - No Brasil, é criado o Estatuto da Mulher Casada, que garantiu que a mulher não precisava mais da autorização do marido para trabalhar, receber herança entre outros, e em caso de separação ela poderia requerer a guarda dos filhos.
  • 1975 - Na Argentina, a Assembleia Geral da ONU proclamou que 1975 seria o Ano Internacional da Mulher que é escalado para solucionar a gravidade da situação da mulher no mundo da época. Na Cidade do México, é promovida a 1ª Conferência Mundial sobre a Mulher e cria-se um plano de ação.
  • 1979 - Eunice Michilles representante do PSD/SM, torna-se a primeira mulher a ocupar cargo de Senadora no Brasil por falecimento do titular da vaga. Neste mesmo ano a Convenção de eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher é adotada pela Assembléia Geral. A Equipe feminina de Judô increve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina que motiva a revogação do Decreto 3199.
  • 1980 - Recomenda-se a criação de centros de autodefesa, no Brasil, para coibir a violência doméstica contra a mulher onde sugere-se o tema “Quem ama não mata!”
  • 1983 - Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM - Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.
  • 1985 - Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
  • 1985 - As Nações Unidas criam o “Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM)”
  • 1987 - No Brasil é criado o “Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro” - CEDIM/RJ
  • 1988 - Através do lobby do batom, liderado por feministas, no Brasil, e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.
  • 1993 - Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.
  • 1996 - O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.



  • 2006 - Sancionada a Lei Maria da Penha. Dentre as várias mudanças, a lei aumenta o rigor nas punições das agressões contra a mulher.

O Parlamento paquistanês aprova mudança na lei islâmica sobre o estupro: a lei exigia que uma mulher estuprada apresentasse como testemunhas quatro homens considerados "bons muçulmanos" ou, caso contrário, enfrentaria acusações de adultério. A nova lei tira este crime da esfera das leis religiosas e o inclui no código penal.


Depois de anos lutando ainda temos muito a conquistar, o salário das mulheres é menor em todas as áreas em que atuam, chegando a uma diferença de 53%. Na publicidade, ainda há pouquíssimas mulheres em cargos de direção e os relatos de abusos psicológicos e sexuais aumentam a cada ano. “Por que não denunciam?” nos perguntam, a resposta é dura. Ainda somos vistas como culpadas de crimes contra nós, quando  ocupamos, na verdade, o lugar da vítima. Mas a sociedade compreende que o “sexo frágil” provocou, mereceu e compactuou para que o crime ocorresse.

Ah, e quando nos tornamos mães as acusações aumentam, somos culpadas pelos erros dos filhos, do marido e familiares. Nos perguntam se temos filhos e não se somos capazes, e quando não queremos ser mães somos menos mulheres que as demais. A sociedade exige herdeiros, mas não está preparada para a progenitora que precisa trabalhar, cuidar, criar e educar quem surgiu de seu ventre sem a ajuda de quem viria a ser o pai. Difícil, exaustivo, mas continuamos, arduamente, como um fogo que não se apaga. Apesar do cansaço lutamos, nos erguemos e seguimos como guerreiras a fim de prosperar e poder, minimamente, sair na rua sem medo de um abuso, beber sem medo de ser morta por apenas ser e saber que estamos protegidas igualmente.


Este é o feliz dia que temos, todos os dias, e estas lembranças deveriam ser fortalecidas neste dia 08 de março para que todos possamos nos abraçar e seguir o caminho de luta, desconstrução e reconstrução.



Fonte dos dados: Wikipédia